terça-feira, 29 de setembro de 2009

Viagem para Lofoten - Noruega por Karol Alves

Olá, queridos leitores do Maracatu Sueco! Tudo bom?

Essa semana eu pedi, e muito gentilmente o Iury me deixou fazer uma participação especial no blog. Eu começo logo me desculpando por ter escrito TANTO, mas eu realmente não tive como escrever menos. Então, espero que a maioria tenha paciência de ler até o fim, e possa sentir um pouquinho do que foi esse final de semana pra gente.

Como a maioria do pessoal que acompanha fielmente o blog já deve saber, a nossa (nós, humildes brasileiros residentes de Luleå) mais nova aventura foi Lofoten Islands, na Noruega. Eu devo dizer que a princípio eu tinha grande receio de voltar à Noruega (trauma eterno de Narvik), mas depois desse final de semana Norway morará eternamente no meu coração como sendo dona de uma das paisagens mais perfeitas que eu já vi.

Bom, nossa jornada teve início quinta-feira, por volta das 17h. A bordo de um simpático Toyota (amorosamente apelidado de “pequeno, porém brincalhão”), cinco bravos brasileiros: Daniel, Iury, Karol (euzinha aqui), Lucas e Marco (nomes dispostos em ordem alfabética, TÁ?), partimos de Luleå com uma coisa “em mente” (coisa de psicólogo que não gosta de teorias mentalistas): Northern Lights/ Aurora Boreal. Super nada programados (eu mesma só decidi ir umas duas horas antes), fomos (praticamente de penetras) com outro grupo de mais quatro brasileiros e um espanhol.
Depois da parte mais difícil (“Me explica como é que a gente não consegue nem sair de uma cidade com 45 mil habitantes?”), o pequeno e brincalhão tornou-se cenário de uma viagem inesquecível.

-Saindo de Casa-

Marco, nosso primeiro motorista, preparou um set list e-s-p-e-c-i-a-l-m-e-n-t-e para nossa road trip. Obviamente algumas músicas viraram tema da nossa viagem (Black Eyed Peas e Beyoncé comandando total). Claro que ainda é válido citar da seleção especial do nosso querido Scott, que ia de “Dream On” a “The Lion Sleeps Tonight” (cada faixa uma surpresa), e ainda a coleção “party”(comprada por 18 espanhóis), com Hey Baby (Gente, Dirty Dancing! R.I.P Patrick Swayze) e Macarena.

Entre algumas paradas (“Uma casa em cima do caminhão? Comassim?”), pacotes e mais pacotes de cookies, chegamos a ferry por volta da meia-noite, confirmando nossa hipótese de “vamos chegar super cedo e esperar”, mas sendo bastante proveitoso para o nosso engenheiro civil, que pôde usar este tempo para trabalhar arduamente em seu projeto. Uma vez dentro da balsa (ainda sinto o cheiro de peixe, seriously), subimos todos muito felizes para as adoráveis acomodações da ferry. Com mais quatro horas de viagem até Lofoten, cada um posicionou-se em um sofá, e apesar de alguns inconvenientes do meio de transporte escolhido (Marco acordando às 5h, quase caindo da cadeira e pensando “isso vai virar com toda certeza”), todos dormimos muito bem e chegamos inteiros (e secos) em terra firme.

-Nosso Ferry Boat -

-Uma casa móvel? Em cima de um caminhão?-

Uma vez na ilha, rodamos a primeira cidade em uns cinco minutos, e como praticamente TUDO estava fechado (8h da manhã, meu corpo gritando por cafeína e nada aberto), nós resolvemos fazer um picnic no túnel (ou caverna). Quando abriu o centro de informações, por volta de 10h, conseguimos as direções para a adorável casinha que nossos colegas de viagem haviam reservado (diferente de nós, que até aquele momento estávamos dispostos a passar a noite no carro) para esse primeiro dia. No caminho, muita bridge design, um tanto de chuva e muitas fotos.
Chegando à casa reservada pelos tripulantes do Volvo (ou grande e bobão, para os íntimos), todos se “acomodaram” no espaço de basicamente um quarto (impossível descrever as “camas”), e uma sala/cozinha. Depois de um nutritivo almoço a base de pão, abriu-se um debate para saber se valia a pena viajar 70 km para chegar num Viking Museum (a gasolina tá cara e a Wikipédia tá aí pra isso, minha gente).

-Fiorde-

O time Wikipédia perdeu, e todos nos encaminhamos para o tal museu, que só funcionava aos domingos, de 13h às 15h. Chegando lá, passando um pouco das 13h, demos com nossos lindos rostinhos na porta. Como já estávamos por lá mesmo, resolvemos gastar mais a sola dos nossos sapatos e andar não lembro quantos tantos metros para ver o barco vinking (logo passando a trilha do cogumelo do Mário). O passeio rendeu um vídeo do Victor super fazendo uma apresentação de suas habilidades, e subindo em uma das cordas do barco (momento: “fiquei com o coração na mão”). Mais uma sessão de fotos, mais uma caminhada, uma igreja, um cemitério (nunca vi um lugar pra ter tantos cemitérios), mais um monte de ovelhinhas (ooown), e era hora de voltar pra casa. No caminho, uma parada mais do que necessária num shopping, para reabastecer nossa geladeira no Coop (sacolas de graça, aproveitem!). Não preciso nem dizer que essas compras incluíam pacotes e mais pacotes de cookies e sorvete, né?

video
-O Victor subindo até o topo do barco Viking-

Em casa, jantar sensacional preparado pelo chef Lucas (seriously, a melhor pasta com meatballs ever), e de sobremesa SORVETE (praticamente um milkshake, porém altamente delicioso). Nesse meio tempo, muita música, muito Marco grudado no computador fazendo trabalho (ai, só me dá orgulho esse menino), muito a câmera do Iury surtando e tirando fotos invertidas (espelho mode on), crise no chuveiro (tipo, a água quente acabou, e agora?), e muito eu caindo da cadeira de sono, logo me retirei pra dormir (mamãe ia super morrer de felicidade me vendo ir pra cama às nove da noite).

-No Hostel/Casa de Pescador-

-Galera se despedindo da casinha-

-Casa no Fiorde-

Mais do que descansada e feliz, levantei no outro dia para ouvir os comentários da noite. Cheguei à sala para encontrar meus bravos amigos ainda caindo de sono, com dores pelo corpo (dormir na madeira não é fácil não, viu), relembrando o frio que passaram durante a noite, e a magnífica orquestra promovida pela dupla Iury e Daniel (eu felizmente dormi tão profundamente que não escutei nada).
Um lindo (obviamente com sua cota de chuva e friiiio) dia para visitar mais paisagens de Lofoten. Todo mundo tomando café (leia-se: mais pão) e guardando as coisas no carro pra deixar a casa e continuar a desbravar as ilhas. De ponto a ponto, nos deparamos com um lugar onde supostamente teria uma vista espetacular e embarcamos no hiking sem medo de ser feliz (e sem sapatos apropriados também, pelo menos da minha parte). Depois de uma pequena trilha (sapatos molhados, pés encharcados, dedinhos com frio), eis que encontramos uma pequena imensa montanha, a qual animadamente nos colocamos a subir. Bom, na minha situação, eu me atrevi apenas a subir até o ponto em que estavam todos reunidos, foto pra lá, foto pra cá, e então Daniel, Guilherme, Lucas, Marco, Ruan (pense em alguém de shorts e sandálias de dedo num frio absurdo) e Victor decidem subir mais. Nesse momento pingos de chuva decididamente me convenceram a descer (okay, pra mim já deu, beijos e eu vou para o carro), e então eu, Iury, Lauro e Luisa nos direcionamos para os carros. Ruan nos encontrou no caminho, com as chaves do Volvo, nos salvando de ficar mais tempo no frio.

-Galera no Hiking-

Depois de uma calorosa discussão sobre séries (Como pode alguém não gostar de Lost? Como?) dentro do Volvo, e muito tempo de espera, descobrimos que nossos amigos aventureiros (leia-se: COMPLETAMENTE LOUCOS) decidiram escalar a montanha (sem equipamento, água ou comida). A partir desse ponto, eu e mais os quatro que sensatamente resolvemos não arriscar suas vidas em uma escalada potencialmente mortal, fomos ao supermercado (viva! mais sacolas de graça!), em busca de mais lugares para visitar e um hostel para passar a noite. Paramos em uma praia absurdamente perfeita (com um vento devastador), e em uma (tá, me perdoem por ficar devendo na descrição do lugar, mas espero que vocês possam ver as fotos) construção de pedra (mais vento) com uma vista de morrer (seriously, caindo lá de cima era morte na certa, tem nem o que discutir). Apesar das árduas tentativas do vento de acabar com as nossas vidas, sobrevivemos e nos dirigimos para Svolvær, onde ficava o hostel.

-Vista de Eggun, Noruega-

Chegando lá, nos registramos na recepção, pagamos uma verdadeira fortuna (já vi lugar caro, mas a Noruega...) pelos quartos, e esperamos por notícias (leia-se: rezamos pela alma) de nossos amigos. Felizmente, pouco tempo se passou e os cinco nos encontraram (não digo que sãos, mas estavam a salvo), alguns um tanto traumatizados (alguém aí falou em chuva de granizo?), outros parcialmente decepcionados de não terem ido ATÉ O TOPO, e com um documentário completo da experiência (seriously, precisamos marcar uma sessão só pra ver os vídeos do contraste na atitude inicial e final do Daniel, o Marco testando a calça nova esquiando de uma forma um tanto inusitada, e tendo a vida salva pelo Guilherme). Nisso eu me diverti mais um tempão com as histórias de como o Guilherme é um excelente guia, como o Daniel era uma nova pessoa depois dessa experiência de quase morte, e como o Marco definitivamente não é fã de raposas. Eu confesso que fiquei triste de ter perdido a escalada, mas sem dúvida alguma fiquei muito feliz de não ter quase morrido junto com eles (um sentimento dual, por assim dizer).

Hora do jantar, cozinha lotada (galera de Luleå bombando em Lofoten esse final de semana, hein), mais chef Lucas fazendo a gente babar pela pasta com meatballs (ainda melhor que a do dia anterior), mais DJ Marco arrasando no set list (só até às onze da noite, TÁ?), e mais uns tantos acontecimentos (envolvendo frutas amarelas e frangos) que estão rendendo comentários e piadinhas até agora. O relógio marcou 23h, a galera toda já tava mais do que preparada para encarar a noite de Svolvær, fazendo um tour de pub em pub. Do Bacalao a festa no Hotel, Summer of 69 comandando na pista, muitas pessoas estranhas (imagine gente de meia idade sem o menor desprendimento social e um pole dance, usando um de nossos amigos como pole), e encerramento da noite (viva! mais copos noruegueses!) às 4h com um feliz lanchinho antes de ir dormir (leia-se: mais pasta e mais pão).
-Balada em Svolvær,Noruega -

-Cais de Svolvær-

Domingão de manhã, café da manhã (adivinha? mais pão!) todo mundo arrumando as malas pra deixar o hostel (devo dizer que alguns um tanto mais apressados do que outros), e partimos para nossas últimas visitas antes de retornar pra Luleå. Na verdade, como o brincalhão estava muito necessitado de gasolina, os dois grupos se separaram, o que acabou nos levando de volta a Svolvær (fotos da cidade! viva!), e de volta ao hostel (operação resgate ao lençol do Marco) para usar a cozinha para preparar o almoço (mais pasta! viva!). Novamente nos derretemos com a culinária dos chefs Daniel, Iury e Lucas, enquanto o estudioso Marco acrescentava os detalhes finais ao seu projeto. Terminando de almoçar, os meninos deixaram a cozinha brilhando e nós saímos (de verdade dessa vez) de Svolvær.

-Toyotão-
-Tripulantes-
-Fiorde!!!-

Logo encontramos com os tripulantes do Volvo, para debater sobre nosso destino, uma vez que já era quatro da tarde, algumas pessoas queriam esperar até as seis para visitar o bar de gelo, outras desesperadamente queriam ir embora, e ainda haviam aquelas que simplesmente ficariam felizes com qualquer uma das alternativas. Tendo falhado a idéia de dividir os grupos, (onde um ficaria e outro voltaria logo para casa) e tendo em vista que ainda tínhamos mais dez horas de viagem pela frente, resolvemos voltar todos.
Mais uma vez o pequeno e brincalhão virava cenário de incríveis debates, terapias grupais (minha ética de psicólogo não me permite comentar nada do que foi dito naquele carro), histórias de infância, uma pequena parcela de comentários inofensivos a respeito da vida alheia, mais cookies (viva!), no rádio “a hora da Noruega”, músicas estranhas, todo mundo congelando e Marco morrendo de calor, sono, sono, sono, fome, fome e fome.

Algumas muitas horas depois chegamos em Kiruna (viva!), procuramos um lugar com internet (Marco, super guerreiro conseguiu terminar o trabalho! viva!) e um lugar pra comer (aaai, um McDonalds naquela cidade...). Encontramos uma loja de conveniência e o trabalho pôde ser enviado, enquanto o Lucas via a quanto estava placar do jogo do “glorioso”, e Iury e Daniel discutiam quem era que cantava “Dream On”. Tarefa cumprida, saímos todos da loja, e nos deparamos com nada mais nada menos que snow flurry (viva!). Todo mundo batendo os dentes de frio, e ainda assim numa felicidade absurda ao estabelecer o primeiro contato com os floquinhos de “neve” (tipo, é neve mais não é, entende?). Bom, celebrado este momento, hora de encontrar um lugar pra comer. Algumas voltinhas pelo centro de Kiruna e encontramos um fast food (marromenos, né), e comemos moderadamente, com planos de passar no McDonalds assim que colocássemos os pés em Luleå.

Eis que estávamos quase saindo da cidade quando de repente, Daniel olha para o céu (momento de tensão), aponta e grita: Nothern Lights! Nesse momento, o coração dos cinco tripulantes do brincalhão parou. Lucas encostou o carro mais que imediatamente, todos descemos (pense que o carro ficou todo aberto enquanto os cinco loucos desciam pulando e gritando), olhando para o céu e não acreditando na imensidão verde de formas que brincavam sobre as nossas cabeças (momento mais Arquivo X da minha vida, que eu jamais esquecerei). Cinco pessoas em choque, gritando, pulando, comemorando, agradecendo, e ligando pro outro lado do planeta só pra tentar passar um pouquinho do que tava sendo aquilo. E então, assim como veio, subitamente o verde se foi. Voltamos para o carro, e encostamos mais umas cinco vezes na hora que se seguiu, todas acompanhando os momentos em que a Aurora decidia nos deslumbrar com sua suntuosa presença. O restante da viagem foi com um pensamento único na cabeça dos cinco: tudo valeu à pena.
-Aurora Boreal VERDE-

De volta em Lulea, descobrimos que o 24-7 do McDonalds não significa aberto vinte e quatro horas por dia, sete dias por semana. Então, cansados e profundamente maravilhados, nos encaminhamos para nossos apartamentos em Väderleden e Vänortsvägen, para humildemente matar nossos amigos de inveja com os relatos dessa inesquecível viagem.
Gente, eu queria agradecer aos nove companheiros de viagem, em especial aos quatro que bravamente me agüentaram todo o caminho de ida e volta, pelos momentos maravilhosos, pelas histórias, pelas risadas, e pela oportunidade de conhecer um pouquinho mais de cada um. Muito obrigada, e até a próxima!

Beijos,

Karol

3 comentários:

  1. ah morro de inveja! =(
    Karol belo post e belas fotos, que bom q ta fazendo meu amigo feliz ai!

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  2. li tudinho!
    como Ju disse...
    massa o post e as fotos Karol. ^^

    Iury, to muito feliz por vc!
    aproveite tudooo, são momentos para vc nunca mais esquecer.
    fico aliviada por saber que vc esta feliz ai!

    beijãoo

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  3. Eu pulei umas partes... mas peguei o contexto huahiauhaihahahaahaah
    adorei o macaco do barco e o cenario meio terra media aiuahuahaihiuahuihiuha
    cuidem bem da minha amiga!
    :P
    :D

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